Diário do Projeto
Atendus

MVP em produção com 12 clientes

Três meses depois do primeiro commit, a plataforma foi ao ar com 12 clientes pagantes. O objetivo não era faturamento: era ter gente de verdade usando para descobrir o que a gente tinha errado.

Performance Baseline

Clientes no MVP
12
Do primeiro commit ao ar
3 meses

Em fevereiro de 2026 a Atendus entrou em produção com 12 clientes pagantes.

Doze é um número escolhido, não um número atingido. Grande o bastante para ter variedade de negócio e casos que a gente não previu; pequeno o bastante para eu conseguir conversar com todos e atender pessoalmente quando quebrasse.

O que o MVP tinha

Deliberadamente pouco:

  • WhatsApp como canal
  • Um agente de IA por conta, configurável por um formulário
  • Inbox com o histórico das conversas
  • Transferência para atendimento humano
  • Cadastro de informações da empresa para alimentar o agente

Não tinha múltiplos canais, não tinha base de conhecimento estruturada, não tinha agenda, não tinha múltiplos usuários. Tudo isso veio porque cliente pediu, não porque estava no plano.

O que os 12 clientes mostraram

Esta é a parte que justifica ter lançado cedo. Nenhuma das descobertas abaixo apareceu em reunião de planejamento.

“O agente responde bem, mas não fala como a gente”

Foi a reclamação número um, e por larga margem. O agente acertava a informação e errava o tom. Uma clínica achava informal demais; um e-commerce de moda achava robótico.

O formulário de configuração que a gente tinha feito era genérico demais — alguns campos e uma caixa de “descreva seu negócio”. A conclusão foi que personalização não é um campo de texto, é um conjunto de controles finos. Foi o que originou o construtor de agentes.

“Ele não sabe do produto X”

A gente tinha subestimado o volume e a especificidade da informação que cada empresa precisa que o agente saiba. Não é “descreva seu negócio em um parágrafo”: é catálogo de produto, tabela de preço, política de troca, procedimento, horário por unidade, exceção de feriado.

Enfiar tudo no prompt não funciona — estoura contexto, fica caro e a qualidade cai conforme o texto cresce. Isso virou o módulo de base de conhecimento.

“Meu cliente me chama no Instagram também”

Óbvio em retrospecto. O cliente final não escolhe canal pensando na nossa arquitetura: ele responde onde viu o anúncio. Ter só WhatsApp significava que o atendimento continuava fragmentado — que era exatamente o problema que a gente se propôs a resolver.

Felizmente a arquitetura já previa isso. Canal novo era Worker novo, não reescrita.

“Preciso que minha equipe inteira acesse”

O MVP tinha um usuário por conta. Cliente com três atendentes compartilhava senha — o que quebrava qualquer noção de quem respondeu o quê e é um problema de segurança que a gente não podia deixar em pé.

O caso que eu não tinha imaginado

Uma clínica perguntou se o agente podia marcar consulta. Na hora pareceu fora de escopo: somos plataforma de atendimento, não de agendamento.

Mas ao olhar as conversas ficou claro que boa parte do atendimento delas terminava em marcação. O agente respondia tudo direitinho e no final mandava “entre em contato para agendar” — desperdiçando justamente a conversa que estava funcionando.

Isso virou o módulo de agenda.

O que essa fase provou sobre a arquitetura

Todas essas demandas foram atendidas sem reescrever o núcleo. Cada uma virou um módulo novo ou um canal novo, encaixando no que já existia.

A aposta de dezembro — modular desde o primeiro dia, canal como plugin, configuração como dado — se pagou aqui. Se o núcleo soubesse que WhatsApp existe, adicionar Instagram teria sido refatoração. Se personalização fosse código nosso, cada cliente novo seria consultoria.

Foram cinco meses de ciclo entre esse feedback e a versão 2. É o que os próximos capítulos deste diário contam.

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